img:Chiliz
Chiliz - CHZ
R$ 0.06928000 -1.23%
img:Shiba Inu
Shiba Inu - SHIB
R$ 0.00002712 -0.84%
img:XRP
XRP - XRP
R$ 7,19 -3.03%
img:USD Coin
USD Coin - USDC
R$ 5,15 0.35%
img:Cardano
Cardano - ADA
R$ 1,08 -3.9%
img:ApeCoin
ApeCoin - APE
R$ 0.67303000 0%
img:Solana
Solana - SOL
R$ 523,96 -1.75%
img:MANA (Decentraland)
MANA (Decentraland) - MANA
R$ 0.35103000 -14.72%
img:Bitcoin
Bitcoin - BTC
R$ 409.410,00 -1.42%
img:Ethereum
Ethereum - ETH
R$ 12.609,00 -2.13%
img:Chiliz
Chiliz - CHZ
R$ 0.06928000 -1.23%
img:Shiba Inu
Shiba Inu - SHIB
R$ 0.00002712 -0.84%
img:XRP
XRP - XRP
R$ 7,19 -3.03%
img:USD Coin
USD Coin - USDC
R$ 5,15 0.35%
img:Cardano
Cardano - ADA
R$ 1,08 -3.9%
img:ApeCoin
ApeCoin - APE
R$ 0.67303000 0%
img:Solana
Solana - SOL
R$ 523,96 -1.75%
img:MANA (Decentraland)
MANA (Decentraland) - MANA
R$ 0.35103000 -14.72%
img:Bitcoin
Bitcoin - BTC
R$ 409.410,00 -1.42%
img:Ethereum
Ethereum - ETH
R$ 12.609,00 -2.13%
Redação Redação
a- A+

Entre 17 e 23 de agosto, o Bitcoin subiu US$ 14,8 mil e atingiu o preço mais alto desde o início de maio: US$ 81,2 mil. Para ter noção do tamanho, há pouco menos de quatro anos, um Bitcoin inteiro valia US$ 15,5 mil. Em uma única semana, o ativo ganhou quase o que valia por completo naquela época.

O movimento não ficou restrito ao Bitcoin. O Ethereum subiu mais de 30%, superando a alta do próprio BTC; a Solana avançou 35%; e o Hyperliquid disparou mais de 40%, atingindo uma máxima histórica de US$ 83.

➔ No total, o mercado cripto somou mais de US$ 474 bilhões em valor de mercado no período.

Depois de meses de preços parados, ficou a pergunta: os ganhos foram só um repique isolado dentro do ciclo de baixa, ou o começo de uma virada de verdade?

Por que o Bitcoin subiu: os 3 fatores que destravaram a alta

Nenhum dos três explica o movimento sozinho. Foi a combinação — gatilho macro, alavancagem e demanda institucional — que produziu a maior alta semanal da história do ativo.

1. Recompra de títulos do Tesouro dos EUA: o gatilho macro

Em 19 de agosto, o Tesouro dos Estados Unidos anunciou que vai aumentar as recompras de títulos da dívida de longo prazo, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação.

Na prática, isso significa que o dinheiro que estava travado em títulos que ninguém queria comprar volta a circular em busca de maiores ganhos, e é aqui que o Bitcoin se beneficia.

Por trás dessa decisão está uma dificuldade real: os Estados Unidos estão pagando cada vez mais caro para se financiar no longo prazo.

O que é título da dívida e o que é recompra

Título da dívida é a forma como o governo americano pega dinheiro emprestado: o investidor entrega o valor hoje e recebe de volta, com juros, numa data futura. Recompra é quando o próprio Tesouro volta ao mercado para comprar de volta um título que ele já vendeu, antes do vencimento.

🥖 Pense numa padaria com duas prateleiras: numa está o pão quentinho, com fila para comprar. Na outra está o pão de ontem. É o mesmo pão, mesma padaria, só mais velho. Sem fila e sem interessados, esse pão só sai da prateleira se o preço cair, e quanto mais o tempo passa, maior o desconto precisa ser.

No mercado de títulos é a mesma lógica: quando falta comprador, o vendedor baixa o preço, e preço mais baixo hoje significa juro mais alto lá na frente, porque o título paga o mesmo valor no vencimento, não importa quanto você pagou por ele.

Foi exatamente isso que aconteceu com os títulos de longo prazo dos EUA: o juro do papel de 30 anos chegou a bater 5,33%, o maior patamar desde 2007 (contra 4,88% no início do ano). Os títulos longos viraram o pão de ontem: sobrava título, faltava comprador.

Por que a demanda caiu? O motivo principal é a percepção de risco. Financiar um governo por 30 anos exige confiança de que ele vai continuar pagando em dia até lá, e o quadro fiscal dos Estados Unidos vem piorando.

A dívida do país ultrapassou os US$ 40 trilhões pela primeira vez, mais de 122% de tudo que o país produz em um ano (PIB), e o gasto com juros da dívida já é maior do que o gasto com defesa — no país com o maior orçamento militar do planeta.

Historicamente, isso não era um problema: o dólar é a moeda mais forte do mundo e os EUA têm histórico de controlar a inflação. Mas essa confiança vem se deteriorando.

Foi aí que o Tesouro entrou na padaria e avisou: vai comprar o pão de ontem, pagando preço justo. Importante destacar que ele não está “imprimindo” dinheiro novo para isso. A recompra é bancada vendendo títulos curtos, que são justamente os que têm fila para comprar.

Quem estava com o título longo travado agora tem esse dinheiro de volta, livre para ir atrás de retorno em outro lugar.

Por que a dívida dos EUA empurra o Bitcoin para cima

Esse dinheiro que voltou a circular chega ao Bitcoin por dois caminhos, e os dois apontam na mesma direção.

💧 Liquidez. Dinheiro solto não fica parado esperando: ele vai atrás de retorno. O mercado cripto ainda é pequeno perto das bolsas tradicionais e do mercado de títulos, então uma quantia que os grandes mercados nem sentem já é capaz de mexer bastante nos preços aqui. Quando a liquidez melhora, cripto costuma estar entre os primeiros ativos beneficiados.

💎 Escassez. Toda essa conversa sobre dívida alta e dificuldade de financiamento aumenta a desconfiança em relação ao dinheiro emitido pelos governos. Quando essa dúvida aparece, o investidor migra para ativos que ninguém pode simplesmente criar mais. Isso beneficia o Bitcoin, que tem uma oferta limitada, definida em código.

➔ Junte os dois caminhos e você tem o cenário quase perfeito para o Bitcoin.

2. Short squeeze no mercado futuro: o que amplificou a alta

O anúncio do Tesouro explica o começo da alta. Mas não explica sozinho o tamanho dela.

Antes da notícia, boa parte do mercado estava apostando na queda do Bitcoin no mercado futuro. Ali, o investidor não compra a moeda em si: ele assina um contrato que acompanha o preço dela, e ganha ou perde conforme o preço sobe ou desce.

Quem acredita na queda faz uma venda a descoberto, ou short: vende um contrato sem ter o ativo, com a intenção de recomprar mais barato depois e ficar com a diferença.

Há ainda um detalhe que amplifica tudo. Essas operações costumam usar alavancagem, que é emprestar dinheiro da corretora para operar com um valor maior do que o dinheiro depositado. Isso multiplica o ganho, mas multiplica o prejuízo na mesma proporção.

Quando a garantia não cobre mais o prejuízo, a corretora encerra a posição à força, comprando o ativo de volta no mercado. É isso que chamamos de liquidação.

O que é short squeeze, na prática

Short squeeze é o efeito em cadeia que acontece quando a alta do preço força quem apostou na queda a recomprar o ativo, e essas recompras empurram o preço ainda mais para cima.

🎫 Pense em como funciona a revenda de ingressos. Um cambista vende hoje, por R$ 500, um ingresso que ele ainda não tem em mãos. A aposta dele é comprar esse mesmo ingresso por R$ 300 perto da data do show e ficar com a diferença. Só que o show bomba e o ingresso vai para R$ 800. Ele não tem escolha, então compra pelo preço que estiver, mesmo no prejuízo.

Agora imagine que dezenas de cambistas fizeram a mesma aposta. Todos precisam comprar ao mesmo tempo, e essa corrida empurra o preço ainda mais para cima. Quem apostou que o ingresso ia baratear acabou sendo justamente quem fez ele encarecer.

Foi o que aconteceu entre 19 e 20 de agosto, com mais de US$ 3,1 bilhões em posições que apostavam na queda do BTC liquidadas.

E isso mexeu de verdade com o preço. Uma liquidação forçada desse tamanho é capaz de fazer o Bitcoin subir mais de 11% em um único dia — uma intensidade rara até para os padrões do Bitcoin num prazo tão curto.

3. Capital institucional: os ETFs de Bitcoin voltaram a captar

Enquanto o squeeze forçava a compra de um lado, o capital institucional também estava entrando. Na semana do movimento, os ETFs à vista captaram US$ 1,92 bilhão, a melhor semana desde outubro de 2025, quando o Bitcoin buscava o maior preço já registrado na sua história: US$ 126 mil.

A semana seguinte trouxe o primeiro bom sinal. Depois de um movimento tão forte, puxado por um short squeeze, o esperado seria uma ressaca, com investidores realizando lucro e devolvendo parte do dinheiro que entrou. Aconteceu o contrário: os ETFs de Bitcoin receberam mais US$ 924 milhões entre 24 e 28 de agosto.

Para dar dimensão da mudança, vale olhar dois meses atrás. Somente em junho e julho, os ETFs de Bitcoin perderam US$ 6,94 bilhões. Agora, em apenas duas semanas, já recuperaram mais de 40% de todas essas saídas.

O fluxo mudou de forte saída para forte entrada, sem sinal de reversão desde então. É o tipo de comportamento que separa uma alta com demanda real de um repique alavancado, e é justamente a continuidade desse fluxo que vai dizer se o movimento se sustenta.

O que os gráficos indicam sobre a virada de ciclo

Índice de Exaustão do Vendedor

Existe um indicador que ajuda a entender de onde vinha a pressão vendedora: o Índice de Exaustão do Vendedor. Ele cruza duas informações, quantos investidores estão no prejuízo e o quão baixa está a volatilidade, para identificar quando a maior parte de quem tinha pressa para vender já vendeu.

➔ Quando isso acontece, as moedas saem das mãos fracas (quem vende no primeiro susto) e migram para quem tem convicção de segurar a posição.

O gráfico de preço conta a segunda parte dessa história. O movimento atual se parece bastante com o início do último ciclo de alta, em janeiro de 2023: naquela ocasião, quando o mercado deixou para trás o ciclo de baixa anterior, o Bitcoin subiu 21,8% em uma semana. Agora, a alta semanal passou de 23%.

Média móvel de 200 dias: o rompimento e o reteste que falta

A semelhança não está só no tamanho do movimento. A média móvel de 200 dias, que aponta o preço médio do Bitcoin nos últimos 200 dias, é muito acompanhada por quem analisa preço porque ajuda a enxergar a tendência de longo prazo: enquanto o preço fica abaixo dela, a leitura é de mercado em baixa.

O Bitcoin acabou de romper essa média, que estava perto de US$ 69 mil e não era superada desde novembro do ano passado. Ou seja, pela primeira vez em meses, o sinal técnico aponta para mercado em alta. Foi exatamente esse gesto que marcou a virada em 2023.

Mas tem um detalhe decisivo. Em 2023, o rompimento sozinho não bastou: semanas depois, o preço voltou para testar a mesma média e, em vez de vendedores, encontrou compradores defendendo a região. Foi esse reteste bem-sucedido que confirmou a transição para um mercado de demanda mais forte.

Esse reteste ainda não aconteceu no atual rali. Os dois gráficos mostram uma condição parecida com a de viradas passadas, mas a confirmação técnica mais importante segue pendente.

É um novo ciclo de alta do Bitcoin? O que confirmaria e o que invalidaria

A resposta é que existe uma chance real, e o mercado está seguindo um padrão que aponta nessa direção.

Temos um gatilho macroeconômico claro, um cenário que favorece ativos escassos, dados do próprio Bitcoin mostrando exaustão de vendedores, dinheiro institucional voltando pelos ETFs e um gráfico muito parecido com o da última virada de ciclo.

Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que existia uma estrutura de alavancagem propícia ao short squeeze, e foi ela que fez a última alta do Bitcoin ser tão grande.

Tudo depende de quanto essa alta vai realmente atrair e manter demanda daqui para a frente.

Estamos em uma fase de transição, na primeira tentativa séria de reverter o ciclo de baixa. A boa notícia é que dá para acompanhar isso com sinais objetivos.

O que confirmaria a virada

  • Um reteste bem-sucedido da média de 200 dias. Se o preço recuar até a região de US$ 70 mil a US$ 71 mil e encontrar compradores, como aconteceu em 2023, seria a confirmação técnica mais forte.
  • Continuidade do fluxo nos ETFs. Entradas seguidas mostram que a demanda é real e não um efeito isolado.
  • Novidades sobre as ações do Tesouro. Se os valores de recompra aumentarem, a tese ganha força e o mercado acelera a precificação.

O que invalidaria a leitura

  • Saídas voltando nos ETFs, indicando que o interesse foi passageiro.
  • Perda da região de US$ 70 mil a US$ 71 mil, sem retomada em seguida.

Se os dois acontecerem juntos, a conclusão mais provável é que tivemos uma alta puxada por um gatilho pontual, que não conseguiu segurar demanda. Nesse caso, a entrada em ciclo de alta fica descartada por ora.

É a combinação de indícios fortes e confirmação pendente que deveria guiar o tamanho da sua posição agora.

Como se posicionar segundo o seu perfil de investidor

🏛️ Perfil conservador. Especialistas do MB recomendam manter entre 5% e 15% do portfólio em criptoativos, variando conforme o perfil de risco. Se sua carteira ainda não tem essa posição, o momento é de buscar chegar nela; se já tem, o mais coerente é manter o que está posicionado e aguardar a confirmação técnica antes de aumentar.

🐷 Perfil moderado. Aqui o reforço da posição pode começar antes da confirmação, porque vários fatores já apontam para uma relação risco-retorno favorável. A chave é não usar toda a munição de uma vez: mantendo caixa relevante, um recuo mais forte deixa de ser um problema e vira a chance de melhorar o preço médio.

🚀 Perfil arrojado. Cada recuo pode ser tratado como oportunidade de acumular sobre a posição existente. Ainda assim, vale cautela em um cenário específico: se a média de 200 dias for perdida, pode ser sensato abrir mão de parte da posição para recomprar em patamares mais baixos, já que isso indicaria uma tentativa frustrada de virada de ciclo.

Vale lembrar o ciclo anterior, quando o Bitcoin saiu da região de US$ 15,5 mil e chegou a US$ 126 mil. O que fez diferença foi estar posicionado. Nada garante que a história se repita, mas é esse tipo de janela que se perde ficando de fora.

Por isso, a leitura mais equilibrada é se posicionar para um possível início de ciclo de alta, com mais caixa reservado quanto mais conservador for o perfil. Assim dá para aproveitar oportunidades, aguentar um cenário mais adverso do que o esperado, e ainda participar de um dos mercados com maior potencial de retorno da atualidade.

Perguntas frequentes sobre o ciclo de alta do Bitcoin

O Bitcoin está em um novo ciclo de alta? Existe uma chance real, mas ainda sem confirmação. O Bitcoin rompeu a média móvel de 200 dias e os ETFs voltaram a captar, dois sinais típicos de virada de ciclo. Falta o reteste bem-sucedido da média: o preço recuar até a região de US$ 70 mil a US$ 71 mil e encontrar compradores, que foi o que confirmou a virada de 2023.

Por que o Bitcoin subiu em agosto de 2026? Por três motivos combinados: o Tesouro dos EUA dobrou as recompras de títulos longos, liberando liquidez; um short squeeze liquidou US$ 3,1 bilhões em apostas na queda; e os ETFs de Bitcoin à vista captaram US$ 1,92 bilhão na semana.

O que é short squeeze no mercado de criptomoedas? É o efeito em cadeia em que a alta do preço obriga quem apostou na queda a recomprar o ativo para cobrir o prejuízo, e essas recompras forçadas empurram o preço ainda mais para cima. O ciclo termina quando não há mais posições a serem liquidadas.

O que significa o Bitcoin romper a média de 200 dias? A média móvel de 200 dias mostra o preço médio dos últimos 200 dias e serve de referência para a tendência de longo prazo. Preço abaixo dela indica mercado em baixa; acima, mercado em alta. O rompimento é o primeiro sinal técnico da virada, mas historicamente só se confirma depois de um reteste bem-sucedido.

Quanto do portfólio investir em criptomoedas? Especialistas do Mercado Bitcoin recomendam entre 5% e 15% do portfólio em criptoativos, variando conforme o perfil de risco do investidor. Perfis mais conservadores devem manter mais caixa reservado.


Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de investimento. Criptoativos são ativos de alto risco e volatilidade; rentabilidade passada não garante resultados futuros.

https://www.mercadobitcoin.com.br/blog/mb-explica/novo-ciclo-de-alta-do-bitcoin/
Destaques Comentários