img:Ethereum
Ethereum - ETH
R$ 18.920,54 -2.92%
img:Chiliz
Chiliz - CHZ
R$ 0.39033900 0.54%
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Solana - SOL
R$ 1.006,51 3.64%
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USD Coin - USDC
R$ 5,67 1.26%
img:Cardano
Cardano - ADA
R$ 2,30 0.68%
img:ApeCoin
ApeCoin - APE
R$ 4,40 -0.86%
img:MANA (Decentraland)
MANA (Decentraland) - MANA
R$ 1,85 -0.19%
img:Bitcoin
Bitcoin - BTC
R$ 371.111,42 0.59%
img:XRP
XRP - XRP
R$ 3,51 4.95%
img:Shiba Inu
Shiba Inu - SHIB
R$ 0.00009491 -0.37%
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Lucca Benedetti Lucca Benedetti
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Stablecoins são criptomoedas que foram projetadas para manter um valor estável em relação a outra moeda ou ativo, como o dólar americano ou o ouro. Elas oferecem uma alternativa mais estável e previsível para investidores e usuários que buscam evitar a volatilidade do mercado de criptomoedas, além de facilitar pagamentos e a negociação de ativos. Neste artigo, discutiremos o atual panorama do mercado de stablecoins e suas implicações para o ecossistema de finanças descentralizadas. 

Hoje, quando observamos as 10 maiores stablecoins em capitalização de mercado podemos notar que apenas 3 destas são descentralizadas. Um número baixo para uma indústria que busca oferecer uma alternativa descentralizada ao mercado financeiro tradicional. Mas afinal, o que diferencia uma stablecoin descentralizada de uma stablecoin centralizada?

Stablecoin CentralizadaStablecoin descentralizada
ControleA  stablecoin é controlada por uma empresaA stablecoin é controlada por contratos inteligentes governados por uma DAO
TransparênciaO nível de transparência depende do que é divulgado pela empresaÉ completamente transparente já que é operada on-chain
CensuraNão é resistente a censura, muitas vezes a empresa pode fazer o blacklist de endereçosResistente a censura, não é facilmente controlada por uma única entidade.
Comparação entre stablecoins centralizadas e descentralizadas

Além disso, stablecoins centralizadas dependem da infraestrutura do mercado tradicional e por isso estão sujeitas ao risco regulatório, geográfico e bancário associado a suas operações. Situações como as que vivemos em março deste ano com o colapso do Silicon Valley Bank afetando diretamente uma das maiores stablecoins do mercado, o USDC, escancaram a necessidade de stablecoins descentralizadas.

Olhando este panorama parece extremamente contraditório utilizar as opções atuais de stablecoins com uma peça chave para a construção de um ecossistema financeiro descentralizado. O uso de stablecoins centralizadas importa toda a fragilidade do sistema financeiro tradicional a nova realidade das finanças descentralizadas. Por isso é importante não apenas aumentar a adoção de soluções descentralizadas para stablecoins como também aperfeiçoar os modelos atuais. 

De longe a stablecoin descentralizada mais bem sucedida é o DAI da MakerDAO com cerca de US$ 5 bilhões de capitalização de mercado. O DAI utiliza a sobrecolateralização aliada a mecanismos econômicos para manter seu valor em paridade com o dólar americano. 

Apesar do sucesso do DAI, existem alguns problemas com seu design atual como a ineficiência de capital gerada pela sobrecolateralização e a grande parcela de colateral em stablecoins centralizadas. Hoje, mais de 26% das reservas que dão lastro ao DAI estão alocadas em USDC e outros 12,6% em ativos do mundo real (RWAs) como títulos do governo americano e debêntures. Essa grande exposição a ativos centralizados pode ser um futuro vetor de ataque e prejudicar a descentralização do DAI.

colateral do dai
Colateral do DAI
Fonte: DaiStats.com 

O uso do USDC e RWAs é justificado, manter a moeda estável utilizando apenas colateral descentralizado já se provou uma tarefa difícil no passado. Stablecoins que utilizam apenas colateral descentralizado como o LUSD da Liquity tem uma volatilidade muito maior que outras stablecoins.

comparação de preço de stablecoins
Comparação da volatilidade do LUSD em relação a outras stablecoins
Fonte: Coingecko

Apesar de eliminarem o problema da centralização, as moedas que, assim como o LUSD, utilizam apenas colateral descentralizado ainda possuem o problema de uma menor eficiência de capital, já que também utilizam  o sistema de sobre-colateralização. Com este problema em mente, desenvolvedores acabaram criando o modelo algorítmico de stablecoin que maximiza a eficiência de capital e descentralização da moeda.

Stablecoins algorítmicas mantém sua estabilidade utilizando algoritmos associados a uma oferta elástica que permitem manter o preço em paridade com um ativo sem a necessidade de reservas. A grande falha deste modelo é sua fragilidade em relação a mudanças bruscas de preço que podem gerar uma “espiral da morte” como a que vimos acontecer com a Terra e o UST no ano passado.

Dessa forma podemos propor um trilema para stablecoins levando em consideração sua descentralização, eficiência de capital e estabilidade, onde  uma stablecoin pode alcançar apenas duas dessas características de forma eficaz, deixando a terceira de lado. O trilema das stablecoins se desdobra da seguinte maneira:

  1. Descentralização: refere-se à ausência de controle centralizado, permitindo que a stablecoin opere de forma transparente e imparcial, sem depender de uma única entidade ou autoridade para gerenciá-la. Stablecoins descentralizadas são geralmente criadas e gerenciadas por contratos inteligentes e organizações autônomas descentralizadas (DAOs).
  2. Eficiência de capital: está relacionada à capacidade de utilizar ativos de maneira eficiente para garantir a estabilidade do valor da stablecoin, reduzindo a necessidade de manter grandes quantidades de colaterais ou recursos financeiros bloqueados para assegurar seu valor.
  3. Estabilidade de preços: refere-se à capacidade de manter um valor consistente e previsível ao longo do tempo, mesmo em face da volatilidade do mercado de criptomoedas e mudanças na demanda. Uma stablecoin com alta estabilidade de preços mantém seu valor próximo ao de uma moeda de referência, como o dólar americano.

Podemos organizar os tipos de stablecoins que existem hoje da seguinte maneira:

  • Stablecoins centralizadas: este tipo de stablecoin oferece maior estabilidade e eficiência de capital em detrimento de sua descentralização.
  • Stablecoins sobrecolateralizadas: este tipo de stablecoin sacrifica a eficiência de capital para oferecer maior descentralização e estabilidade.
  • Stablecoins algorítmicas:  este tipo de stablecoin oferece maior descentralização e eficiência de capital, sacrificando sua estabilidade.
stablecoin trillema
Trilema das stablecoins

Uma stablecoin que solucione o trilema pode revolucionar o atual ecossistema das finanças descentralizadas, liberando uma imensa quantidade de capital que pode fluir para usos mais ativos dentro da rede tudo isso com uma opção descentralizada, estável e eficiente.

Em suma, o atual panorama do mercado de stablecoins gera diversos problemas de descentralização e eficiência de capital para o ecossistema de finanças descentralizadas. Da mesma forma em que existe um esforço conjunto para se superar o trilema das blockchains, um esforço parecido para solucionar o trilema do mercado de stablecoins deve trazer uma necessária inovação ao setor com soluções que permitam maior eficiência conservando a descentralização e estabilidade dos ativos.  

https://www.mercadobitcoin.com.br/economia-digital/criptomoedas/o-futuro-das-stablecoins-descentralizadas/
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